Assim como existem diferentes estruturas, existem diferentes tipos de autoridade. A autoridade de linha é aquela típica de gestores diretamente responsáveis, em toda a cadeia de comando, por alcançar os objetivos da organização. Por exemplo, em uma universidade, a autoridade de linha seria alocada nos departamentos responsáveis pelo ensino de pesquisa. À medida que a organização cresce, alguns cargos e departamentos são acrescentados para apoiar os atuais na execução de suas funções. A autoridade dos departamentos, grupos ou indivíduos que apoiam os gestores de linha com aconselhamento e assistência especificas, é denominada de autoridade de assessoria. Geralmente, os departamentos de RH, jurídico ou planejamento estratégico são considerados como assessoria, uma vez que não contribuem diretamente para os objetivos da organização fornecendo aconselhamento diverso aos departamentos de linda.
Nem sempre é fácil distinguir autoridade de linha de assessoria, já que, às vezes, pessoas em posições de linda parecem realizar funções de assessoria e vice-versa. Por sua natureza de aconselhamento, a autoridade de assessoria não é, normalmente, formal. Contudo, alguns departamentos de assessoria (por exemplo, auditoria) podem ter autoridade formal sobre membros de linha, dentro dos limites de suas funções.
A autoridade não é a única manifestação do poder nas organizações. Ao incluirmos a noção de poder, a discussão torna-se mais complexa. Pessoas sem nenhuma autoridade têm, as vezes, muito poder na organização. Nem todo poder deriva da autoridade porque os membros da organização fazem uso de diferentes recursos (legítimos e ilegítimos) que lhes garantem uma capacidade de exercer influência sobre pessoas ou grupo e de alterar comportamentos destes.
O poder manifesta-se tanto na estrutura formal da autoridade (dado pela hierarquia), quanto na estrutura informal (pela capacidade real de influência). A estrutura informal refere-se as relações interpessoais, que afetam as decisões internas, mas que nem sempre são reconhecidas ou representadas no organograma. Por exemplo, o poder de secretárias ou assistentes no acesso aos superiores hierárquicos. Cabe ao administrador compreender a natureza e a dinâmica das estruturas informais, uma vez que elas determinam a forma como as coisas acontecem nas organizações. Uma vez que os membros da organização têm interesses e agendas divergentes e conflitantes, é impossível ignorar a natureza da política das organizações. Em muitas situações, o administrador deve mapear os principais atores políticos na organização, de forma a avaliar seu poder e o das pessoas com quem interage.
Os serviços de saúde, os hospitais em particular, constituem organizações bastante peculiares, concebidas quase exclusivamente em função das necessidades dos usuários. Dotados de sistemas técnicos organizacionais muito próprios, proporcionam aos seus trabalhadores, sejam eles técnicos de saúde ou não, condições de trabalho precárias, sendo, na maior parte das vezes, piores do que as verificadas na grande maioria dos restantes setores de atividade. Verifica-se, assim, que as organizações hospitalares são sistemas complexos compostos por diversos departamentos e profissões, tornando-as sobretudo uma organização de pessoas confrontadas com situações emocionalmente intensas, tais como a vida, doença e morte, as quias causam ansiedade e tensão física e mental. De certo, o trabalho no hospital produz conflitos entre o ideal, habitualmente suposto, de trabalho solidário em equipe e organização do trabalho indutora das soluções individualizadas, que nos corporativismos e da competição acirrada entre os especialismos.
O hospital é uma organização formal e institucionalizada de prestação de serviços com foco nos cuidados que prestam aos seus usuários. Na instituição hospitalar, o trabalho dos técnicos de saúde desenvolve-se em unidades de cuidados organizadas segundo as várias especialidades médicas. Neste contexto, os enfermeiros inseridos nessas unidades realizam seu trabalho em equipes de 15, 20, 30 ou mais pessoas (de diferentes formações e especialidades), consoante as necessidades e o tipo de cuidados exigidos. Em termos de espaço físico, a maioria das unidades destina aos enfermeiros um gabinete para o chefe, uma sala de trabalho, onde se realizam todas as atividades dos profissionais de enfermagem, executando cuidados direto ao doente. Os enfermeiros não possuem um espaço para reuniões de equipe, ou para alguns momentos de pausa. Do exposto, torna-se fácil compreender alguns dos constrangimentos vivenciados pelos enfermeiros, tanto no contexto do seu trabalho, como no exercício das suas funções. Tais constrangimentos refletem-se sobretudo a nível dos sentimentos de identidade e autonomia. Afinal, a quem respondem? Ao enfermeiro chefe, ao médico de plantão ou ao médico responsável? Quem define as prioridades? Quem decide o uso dos recursos? A resposta é difusa e confusa!
Tal problema advém da própria atitude desdes profissionais de saúde, os quais têm permitido que o seu trabalho seja organizado para dar resposta prioritariamente às prescrições feitas a determinada doença, assim como às regras institucionais. No entanto, todos os enfermeiros sabem que têm uma forte razão social para existirem, pelo que ninguém pode conceber uma organização de saúde onde tais profissionais não estejam incluídos. Mas, apesar disso, e muito embora se trate do maior grupo profissional do sector da saúde, não lhes é, por vezes, dada a oportunidade de participar nas decisões das suas políticas, seja de níveis mais elevados ou a níveis mais intermediários.
Os enfermeiros passaram a acumular uma diversidade de papéis, tais como: o de gestor da unidade de cuidados, o de apoio á pessoas doente e, também, com um relevo especial, o de colaborador no trabalho do médico. Neste amplo conjunto de funções sempre foi concedido aos enfermeiros certo "espaço de poder". tratando-se, porém, de um poder virtual, dado que havia sempre alguém a controlar tal poder, mesmo que de uma forma subjetiva. Por isso, os enfermeiros ocuparam sempre um papel essencial nas instituições hospitalares, mas ocupando sempre um lugar de retaguarda. Perante isto, as tomadas de decisão na organização do trabalho dos enfermeiros devem ser em função das necessidades da pessoa e não de interesses pessoais, institucionais ou de outros técnicos, de normas e rotinas. Para tal, impõe-se uma reestruturação no funcionamento dos serviços através de novas dinâmicas das relações interpessoais no trabalho, anulação e libertação de comportamento estereotipados, definição de objetivos qualitativos.
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