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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Glossário da professora Claudia Pfeiffer

O blog da professora é esse aqui. Lá você encontra textos, artigos, palestras e glossários da própria. O que mais nos interessa é esse ultimo, o glossário para a nossa aula de ciências sociais para gestão pública. Além disso a Claudia disponibiliza outros conceitos dela e um glossário para a disciplina de desenvolvimento local. Você pode baixar ele nessa página. Mas resolvi por ele aqui para caso alguém não consiga baixar.

Autor
Referência
SIMMEL
Simmel, Georg. A sociabilidade (exemplo de sociologia pura ou formal).  In: Simmel, Georg. Questões fundamentais da sociologia: indivíduo e sociedade. Rio de Janeiro; Jorge Zahar, 2006. p. 59-82.
Conceito
O que significa
Interação
Relação de convívio ou estado de correlação com os outros
Sociação
Forma na qual os indivíduos, em razão de seus interesses, se desenvolvem conjuntamente em direção a uma unidade no seio da qual esses interesses se realizam.
Sociabilidade
O que é autenticamente social na existência social é aquele ser com, para e contra com os quais os conteúdos ou interesses materiais experimentaram uma forma ou um fomento por meio de impulsos ou finalidades. Essas formas adquirem então, puramente por si mesmas e por esse estímulo que delas irradia a partir dessa liberação, uma vida própria, um exercício livre de todos os conteúdos materiais. Esse é justo o fenômeno da sociabilidade.
Autor
Referência
MAUSS
MARTINS, Paulo Henrique. A sociologia de Marcel Mauss: dádiva, simbolismo e associação. Revista Crítica de Ciências Sociais, 73, Dezembro 2005. p. 89-116. Disponível em: http://www.ces.uc.pt/rccs/ficheiros/073/artigos/RCCS73-045-066-Paulo_H.Martins.pdf
Conceito
O que significa
Dádiva (ou dom)
Sistema de reciprocidade de caráter interpessoal, que se expande ou se retrai a partir de uma tríplice obrigação coletiva de doação, recebimento e devolução de bens simbólicos e materiais, anterior aos interesses contratuais e às obrigações legais.
Dádiva para Mauss não é caridade nem benção. É uma lógica organizativa do social que tem caráter universalizante e que não pode ser reduzida a aspectos particulares como aqueles religiosos ou econômicos.
O entendimento do sentido sociológico da dádiva introduz a idéia da ação social como interação, como movimento circular acionado pela força do bem (material ou simbólico) dado, recebido e retribuído, o qual interfere diretamente tanto na distribuição dos lugares dos membros do grupo social como nas modalidades de reconhecimento, inclusão e prestígio.
Autor
Referência
TÖNNIES
TÖNNIES, Ferdinand. Comunidade e Sociedade. In: MIRANDA, Orlando (Org.). Para Ler Ferdinand Tönnies. São Paulo: Edusp, 1995.
Conceito
O que significa
Vontade natural
Vontade humana dirigida por instintos, orientada por motivações de origem orgânica (nutrição, auto-preservação e reprodução)
Vontade Arbitrártia
Vontade humana guiada por outros móbiles, transcendendo os determinantes do “orgânico”, partindo de representações ideais e artificiais sobre os homens e o mundo ao seu redor, que assume caráter deliberativo, propositivo e racional
Relações comunitárias
Resultantes da vontade natural, sustentadas por uma cultura holista, por homens que se sentem e sabem como pertencendo-se uns aos outros, fundados na proximidade natural de seus espíritos. Que tem raízes nas disposições gregárias estimuladas pelos laços de consangüinidade e afinidade.
Comunidade
Forma-se a partir de disposições gregárias, estimuladas pelos laços de consangüinidade e afinidade (pais e filhos, irmãos e vizinhos).
Caracteriza-se pela inclinação emocional recíproca, comum e unitária, pelo consenso e o mútuo conhecimento íntimo.
Apresenta três padrões de sociabilidade: o padrão formado com base nos laços de consangüinidade, nas relações de parentesco (comunidade de sangue); o formado com base nos laços de coabitação territorial, do lugar (comunidade de vizinhança); o formado com base na afinidade espiritual (amizade).
Esses padrões se realizam territorialmente através de três núcleos espaciais: a casa, a aldeia e a cidade.
Na cidade, a irmandade profissional seria a mais alta expressão da idéia de comunidade.
Relações societárias
Resultantes da vontade arbitrária, mediadas pela razão, o cálculo e o interesse
Sociedade
Surgem quando indivíduos auto-conscientes de seus interesses entram em relação uns com os outros instrumentalizando meios que lhe estão ao alcance, considerando pura, fria e simplesmente, regras estabelecidas no plano contratual. É o domínio da racionalidade.
Cada vontade é reconhecida socialmente como unidade subjetiva moralmente autônoma, independente e auto-suficiente, estando para si em um estado permanente de tensão com as demais, sendo as intromissões de outras vontades na maioria das vezes aludida como ato de hostilidade.
Autor
Referência
DURKHEIN
Costa, Maria Cristina Castilho. Introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1987. Ler: A sociologia de Durkheim (p. 51-59)
Conceito
O que significa
Consciência Coletiva
“o conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade” que “forma um sistema determinado com vida própria”.
Fatos sociais
Dentre os acontecimentos gerais e repetitivos, aqueles que apresentam características exteriores comuns; que se distinguem dos acontecimentos individuais ou acidentais, o essencial do fortuito. 
Características dos fatos sociais:
• Fatos sociais são exteriores aos indivíduos - dotados de existência exterior às consciências individuais.
Regras sociais, costumes, as leis existem antes do nascimento das pessoas.
Os fatos sociais têm existência própria e independente daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular.
• Os fatos exercem força sobre os indivíduos, são coercitivos (coerção social) levando-os a conformarem-se às regras da sociedade em que vivem independentemente de suas vontades ou escolhas (adoção de um idioma; tipo de formação familiar, código de leis), – que se torna evidente
Fatos sociais normais
Aquele que se encontra generalizado pela sociedade ou quando desempenha alguma função importante para a sua adaptação ou evolução. Aquele que reflete os valores e as condutas sociais aceitas pela maior parte da população.
Fatos sociais patológicos
Aquele que se encontra fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente. Aquele que põe em risco a harmonia, o acordo, o consenso, e, portanto, a adaptação e a evolução da sociedade. Tem caráter transitório e excepcional.
Prenoções
Valores e sentimentos pessoais em relação ao acontecimento a ser estudado
Morfologia social
Método para comparar as diversas sociedades, para classificar as espécies sociais. As sociedades variam de estágio, apresentando formas diferentes de organização social que tornam possível defini-las como “inferiores” ou “superiores”. Elas “evoluíram a partir da horda, a forma social mais simples, igualitária reduzida a um único segmento onde os indivíduos se assemelhavam aos átomos, isto é, se apresentavam justapostos e iguais. A partir da horda, foi possível uma série de combinações, das quais originaram-se outras espécies sociais identificáveis no passado e no presente, tais como os clãs e as tribos”.
Solidariedade mecânica
Predominava nas sociedades pré-capitalistas, onde os indivíduos se identificavam através da família, da religião, da tradição e dos costumes, permanecendo em geral independentes e autônomos em relação à divisão do trabalho social. A consciência coletiva aqui exerce todo seu poder de coerção sobre os indivíduos.
Solidariedade orgânica
Típica das sociedades capitalistas, onde, através da acelerada divisão do trabalho social, os indivíduos se tornavam interdependentes. Essa interdependência garante a união social, em lugar dos costumes, das tradições ou das relações sociais estreitas.
Autor
Referência
WEBER
Castro, Ana Maria e Dias, Edmundo Fernandes. Introdução ao Pensamento Sociológico. 18ª Ed. São Paulo: Centauro, 2005. (p. 114-156)
Conceito
O que significa
Ação social
Conduta humana dotada de sentido. Essa conduta é social na medida em que cada indivíduo age levando em conta a resposta ou reação de outros indivíduos.
A ação social (incluindo tolerância ou omissão) se orienta pelas ações dos outros, as quais podem ser: passadas, presentes ou esperadas como futuras (vingança por ataques prévios, réplica e ataques presentes, medidas de defesa frente aos ataques futuros). Os “outros” podem ser individualizados e conhecidos ou uma pluralidade de indivíduos e conhecidos ou uma pluralidade de indivíduos indeterminados e completamente desconhecidos.
Ação social racional conforme fins determinados
Determinada por expectativa no comportamento, tanto de objetos do mundo exterior como de outros homens e utilizando essas experiências como “condições” ou “meios” para conseguir fins próprios, racionalmente avaliados e perseguidos.
Ação social racional conforme valores
Determinada pela crença consciente no valor – ético, estético, religioso ou de qualqueroutra forma que se interprete – próprio e absoluto de uma determinada conduta, sem relação alguma com o resultado, ou seja, puramente em virtude desse valor.
Ação social afetiva especialmente emotiva
Determinada por emoções e estados sentimentais atuais.
Ação social tradicional
Determinada por um costume arraigado.
Relação social
Conduta plural – de várias pessoas – que, pelo sentido que encerra, se apresente como reciprocamente referida e se oriente por essa reciprocidade. A relação social consiste, portanto, plena e exclusivamente, na probabilidade de que se atuará, socialmente de uma forma (com sentido) indicável.
Tipo ideal
Criação abstrata a partir de casos particulares observados.
Através da observação de casos particulares de ordens sociais diferentes no tempo e no espaço, o cientista constrói um modelo acentuando os traços que lhe pareçam mais característicos (relações sociais, econômicas, políticas, religiosas, etc.). Esse modelo é chamado de tipo ideal, porque nenhum caso particular contem todas as suas características. A ele compara-se todos os casos particulares para identificar as semelhanças e diferenças entre eles. Constrói o tipo ideal do capitalismo ocidental moderno, a partir das diversas características das atividades econômicas em diversas épocas e lugares, antes e após o surgimento das atividades mercantis e da indústria e define o capitalismo em sua forma típica, como “uma organização econômica racional assentada no trabalho livre e orientada para um mercado real, não para a mera especulação ou rapinagem. O capitalismo promove a separação entre empresas e residência, a utilização técnica de conhecimentos científicos, o surgimento do direito e da administração racionalizados.
Método compreensivo
Um esforço interpretativo do passado e de sua repercussão nas características peculiares das sociedades contemporâneas. Essa atitude de compreensão é que permite ao cientista atribuir aos fatos esparsos um sentido social e histórico
Situação de classe
O conjunto de probabilidades típicas de provisão de bens, posição externa, sentido pessoal, que derivam, dentro de uma determinada ordem econômica, da magnitude e da natureza do poder de disposição (ou da carência dele) sobre bens e serviços e das maneiras de sua aplicabilidade para a obtenção de rendas ou receitas.
Classe
Grupo humano que se encontra numa igual situação de classe.
Situação estamental
Pretensão, tipicamente efetiva, aos privilégios positivos ou negativos na consideração social, fundamentada no modo de vida .
“Todo componente típico do destino dos homens, determinado por uma estimativa específica, positiva ou negativa, da honraria”
Estamentos
Conjunto de homens que, dentro de uma associação, reclama de modo efetivo uma consideração estamental exclusiva e, eventualmente, também, um monoólio exclusivo de caráter estamental, que podem originar-se:
• Primariamente, de um modo de vida estamental próprio (estamentos de modo de vida – e profissionais)
• Secundariamente, de carisma hereditário, através de pretensões efetivas de restígio, em virtude de uma precedência estamental (estamentos hereditários)
• Por apropriação estamental, como monopólio, de poderes de mando, políticos ou hierocráticos (estamentos políticos e hierocráticos)
Partidos
Têm seu lar na esfera do “poder”. Sua ação dirige-se ao exercício do poder social, e isto significa: influência sobre uma ação social de conteúdo qualquer: pode haver partidos, em princípio, tanto num “clube” social, quanto num “Estado”.
Poder
Probabilidade de uma pessoa ou várias impor, numa ação social, a vontade própria, mesmo contra a oposição de outros participantes desta
Dominação
Probabilidade de encontrar obediência dentro de um grupo determinado para toda sorte de mandatos. Submissão a uma autoridade.
Dominação racional
Repousa na crença na legalidade de ordenações instituídas e dos direitos de mando dos chamados por essas ordenações a exercer a autoridade. Exercida por uma autoridade legal
Dominação tradicional
Repousa sobre a crença cotidiana na santidade das tradições que vigoram desde tempos longínquos e na legitimidade dos que são designados por essa tradição para exercer a autoridade. Exercida por uma autoridade tradicional.
Dominação carismática
Repousa sobre a entrega extra-cotidiana à santidade, ao heroísmo ou à exemplaridade de uma pessoa e às ordenações por ela criadas ou reveladas (...). Exercida por  uma autoridade carismática.
Autor
Referência
MARX
COSTA, Maria Cristina Castilho. Introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1987. Ler: Karl Marx e a história da exploração do homem (p. 71-88)
Conceito
O que significa
Alienação
Econômica: separação do trabalhador dos seus meios de produção e perda do controle do trabalhador sobre o produto do seu trabalho. Meios de produção e controle sobre o produto do trabalho são apropriados pelos capitalistas.
Política: Estado considerado órgão político imparcial capaz de representar toda a sociedade (liberalismo). Estado não pode representar toda a sociedade porque não existe igualdade política e jurídica entre os homens. Estado representa apenas a classe dominante e age conforme interesse desta.
Filosófica: divisão social do trabalho faz com que filosofia e ciência se tornem a atividade de um determinado grupo. Ela reflete o pensamento desse grupo.
Esses sistema econômico, política e filosofia excluíram o trabalhador da participação efetiva na vida social.
Meios de produção
Ferramentas, matérias-primas, terra e máquinas
Força de trabalho
Única propriedade do trabalhador, que ele tem que vender ao empresário capitalista para assegurar sua sobrevivência.
Forças produtivas
Condições materiais de toda a produção (objetos – matérias-primas identificadas e extraídas da natureza; instrumentos – conjuntos de forças naturais já transformadas e adaptadas pelo homem, como ferramentas ou máquinas, utilizadas segundo uma orientação técnica específica; indivíduos que executam o trabalho pondo em ação os objetos e instrumentos). Os objetos e instrumentos, ou seja, os meios de produção, variam conforme as necessidades e finalidades sociais a que se destinam.
Relações de produção
Formas pelas quais os homens se organizam para executar a atividade produtiva. Elas se referem às diversas maneiras pelas quais são apropriados e distribuídos os elementos envolvidos no processo de trabalho: as matérias-primas, os instrumentos, os próprios trabalhadores e os produtos finais. São as relações sociais mais importantes.
 Modo de produção
Forma pela qual as forças produtivas e as relações de produção existem e são reproduzidas numa determinada sociedade.
Valor da mercadoria
Tempo de trabalho socialmente necessário a sua produção
 Mais-valia
Valor excedente produzido pelo operário, apropriado pelo capitalista.
Mais-valia absoluta
Mais-valia obtida com o prolongamento da jornada de trabalho.
Mais-valia relativa
Mais-valia obtida com o aumento da produtividade mediante a aplicação de tecnologia, a mecanização, a substituição de homens por máquinas.
Classes sociais
São formadas a partir das desigualdades sociais provocadas pelas relações de produção do sistema capitalista, as quais dividem os homens em proprietários (burguesia) e não-proprietários (proletariado) dos meios de produção.
Situação de classe
Valores, comportamentos, regras de convivência e interesses partilhados por indivíduos de uma mesma classe social.
Luta de classes
Uma luta constante entre interesses opostos, embora nem sempre se manifeste sob a forma de guerra declarada. As divergências, oposições e antagonismos de classes estão subjacentes a toda relação social, nos mais diversos níveis da sociedade, em todos os tempos, desde o surgimento da propriedade privada.
Práxis
Ação política consciente e transformadora.
 Materialismo histórico
A estrutura de uma sociedade depende da forma como os homens organizam a produção social de bens. Produção social de bens engloba dois fatores básicos: forças produtivas e relações de produção.
A forma pela qual as forças produtivas e as relações de produção existem e são reproduzidas numa determinada sociedade é o modo de produção.
Em cada modo de produção, a desigualdade de propriedade, como fundamento das relações de produção, cria contradições básicas com o desenvolvimento das forças produtivas. Essas contradições se acirram até provocar um processo revolucionário, com a derrocada do modo de produção vigente e a ascensão de outro.

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